Teresa Nazar tornara-se muito conhecida em São Paulo, antes da VIII Bienal, pela sua pintura figurativa de tendência expressionista. Revelara então qualidades de desenhista e de colorista que lhe mereceram a estima da crítica de arte paulistana.  Havia, contudo, timidez na sua pintura e lutava com dificuldades para se desprender de certas limitações de tratamento assim como de temática.

Na VIII Bienal, Teresa causou uma surpresa, pelo progresso rapidíssimo que realizara em pouco tempo, verdadeiro salto.  Sua pintura ganhara um arrojo e uma liberdade imprevisíveis, graças à sua audácia no emprego de novos materiais e a virada para novas formas de realismo.  Haviam desaparecido totalmente uma certa rigidez cubista e a sua antiga visão expressionista.  Repentinamente passara a se tornar uma figura de vanguarda da pintura paulistana.

Acontecera com Teresa Nazar um fato bastante comum entre os jovens artistas talentosos de hoje: não conseguia se exprimir satisfatoriamente pelas formas tradicionais da pintura e do desenho, apesar de possuir um domínio considerável de suas técnicas.  Logo que passou a utilizar a apresentação direta de materiais diversos, em vez da representação desenhada e pintada anterior, ganhou uma liberdade e um poder de expressão incomparavelmente superiores.  Sua visão  do mundo não podia ser transmitida adequadamente pela simples representação gráfica  e colorística  tradicional.

No último ano, Teresa continuou a progredir muito.  Houve sobretudo uma transformação radical na sua temática, que se tornou atualíssima, tratada de maneira muito convincente.  Basta mencionar a sua série interessantíssima de quadros sobre os vôos dos astronautas, em que utiliza largamente placas e outros elementos metálicos, assim como outros objetos.  O tratamento tão vivo e sugestivo das figuras é característico da fase atual.

Também nas telas sobre temas quotidianos, como no quadro sobre as mulheres no cabeleireiro, Teresa revela uma capacidade de apreensão realista pop muito original e uma notável eficácia de comunicação artística.  Há também nesses trabalhos, variedade bem maior de objetos introduzidos na composição pictórica, que lhes dão uma vitalidade nova.  É interessante notar a transformação do desenho de Teresa, agora com uma visão caracterizadamente pessoal que confere autenticidade às figuras.

A posição de destaque de Teresa Nazar na vanguarda da pintura paulistana se consolidou e sua presença já se faz sentir mais amplamente em todo o movimento realista brasileiro.”
 

1/7

Mario Schemberg, 1966

Texto para o catálogo da mostra “Apeningue”, com Antonio Dias, Hélio Oiticica, Carlos Vergara, Rubens Gerchman, Nicolas Vlavianos, Pedro Escosteguy e Teresa Nazar na Galeria Atrium, SP, em 1966.