Paulo Klein, 2010


Texto para o livro “The Art Book Brasil – Geometrias”,org. Paulo Klein,  Ed. Decor Books, São Paulo, 2010

Cassia Aresta diversificou seu desempenho, ao longo das duas décadas, com interessante e íntima obra fotográfica e trabalhos coletivos em que experimenta vários procedimentos. Mesmo assim, ela continua a produzir objetos e pinturas, como artista simpática aos códigos geométricos que é. Segundo ela, sua obra neste segmento “estabelece o conceito de espaço/tempo dentro de uma linguagem construtiva”. Através de estruturas geométricas, articuladas ludicamente, ela multiplica as relações entre forma e cores, para “construir o espaço e o tempo desejados”. O conceito da obra permanente implícito na indagação entre estas duas estruturas que interagem. Resumindo, a interação de planos, delimitações, linhas, cores e superfícies criam sensações ótico-sensoriais que contribuem no entendimento da relação espaço/tempo. O tempo acontece, ora marcado pelo movimento das linhas na obra em série, ora pelo intervalo das mesmas dando ritmo, ora pela divisão de cores. “Os planos são superfícies”, pontua Cassia Aresta. A superfície é o espaço que , ao mesmo tempo, é o suporte da ação pictórica, sutilmente perceptível na sua condição lisa.E, não menos por isto, está vazio.A cor, por vezes, quando expandida, é linguagem autônoma atuando como protagonista.As linhas são elementos axiais, atuam como divisores dos campos estabelecidos.Criam tensões espaciais.O Branco e o Preto, quase sempre presentes, também são Luz e Sombra, são formas, ausências.”Nos deslocamentos,criando assimetrias, mudo a noção topológica do equilíbrio.Gero com toda plenitude estrutural meus denominados  ob(ra)jetos.Acredito que a poética da minha obra está no campo perceptivo, criado com formulações matemáticas que induzem o observador a participar do projeto construtivo, como um viagem introspectiva em si mesmo” diz Cassia Aresta sobre  sua obra.


 

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