Data: 21 de agosto a 05 de setembro de 2015

 

Artistas: João Aires  |  Ayao Okamoto

 

Habitar | Superfícies

 

Local: O Sítio | Florianópolis | SC

 

Os artistas visuais João Aires e Ayao Okamoto estão em cartaz com exposições individuais, a partir do dia 21 de agosto, sexta feira. Eles formam a  segunda dupla de artistas com mostras simultâneas, organizadas pelo escritório Myrine Vlavianos de Arte Contemporânea, em parceria com o Sítio.  

 

JOÃO AIRES: “Habitar”
 

O português João Aires, radicado na Ilha, traz um tema recorrente para esta exposição: as habitações. Cápsulas, Naves, Habitáculos e Habitar são os nomes das séries de desenhos e pinturas que explicitam essa temática. Os trabalhos suscitam uma ligação entre o espaço urbano e o imaginário, questão predominante na trajetória deste artista.

Para esta mostra ele parte de uma citação do filósofo existencialista Jean Paul Sartre, que afirma: “Os apartamentos não são mais habitações criadas para os homens, mas sim máquinas de morar destinadas a guardar coisas: cada edifício é um armário, cada sala é uma gaveta.”

João busca explorar os lugares de intimidade das pessoas e como eles se apresentam no mundo. Para o artista, “habitar está presente no tempo, nas estradas, na cidade. Habitar o que construo com a arte é um exercício constante de compreensão do mundo, um modo de traduzir minhas experiências e inquietações, já que toda construção tem por meta o habitar.

Na série Habitáculos, por exemplo, os desenhos são realizados a partir da descrição de quartos feita por terceiros como retratos falados. Nas pinturas surge um espaço sem fronteiras aparentes, onde camas navegam em rios e na densidade onírica. Já a grande pintura que dá título à mostra, Habitar, é um work in progress que poderá ser concluído ao longo da exposição.

“O excesso de informação na minha pintura surge da falta de diálogo, da proximidade geográfica e da distância da construção que serve ao habitar humano e às relações”, resume o artista.

Sua mostra é um conjunto de 40 desenhos em grafite e nanquim sobre papel, quatro desenhos em grafite, nanquim e aquarela sobre papel, cinco pinturas em acrílica e óleo sobre tela, em variados tamanhos. Todas as obras foram realizadas em 2015 especialmente para esta exposição.

 

AYAO OKAMOTO: “Superfícies”

 

Paranaense, radicado em São Paulo, esta é a primeira vez que Ayao expõe em Santa Catarina. Ele faz uso constante de interfaces, no seu trabalho. Ou seja, de “imagens retiradas de um contexto e aplicadas e retrabalhadas em outros suportes e processos técnicos”, segundo o próprio artista. Sua exposição apresenta duas vertentes de criação, uma de produção de obras técnicas a partir da manipulação e reprodução digital e a outra analógica.

A série Superfícies é composta por digigravuras (obra editada com ou sem tiragem, a partir de uma matriz aplicando tecnologia eletrônica digital), e a analógica pelo processo direto de impressão gyotaku (nome dado a uma tradicional técnica japonesa de impressão manual de peixe que consiste em transferir as imagens para o papel ou outras superfícies).

Ambos processos  atuam na produção gráfica a partir de uma matriz, como obra única, resultando em poéticas que atuam na reflexão sobre a política da reprodução em massa e a valorização do design de superfície, enquanto suporte, possibilitando experimentações usando os várias meios como forma de intervenção criadora.

Ayao utiliza imagens fotográficas a partir de negativos antigos achados em sebo ou na rua. Depois de ampliadas, as imagens recebem interferências gráficas, fotocopiadas em papel de seda formato A3, em máquinas com defeito no processo de impressão. “A autenticidade da reprodução é apenas de ordem política, já que implica um limite determinado a partir de uma matriz. A função da máquina de reprodução, nesse caso, serve apenas como base para elaboração de experimentações tecnológicas, uma vez que são obsoletas e com defeito no processo fundamental, que é a da cópia impressa”, explica o artista.

Assim, a função inicial do que seria uma cópia perfeita se inverte, gerando uma imagem única. Essa imagem, depois de processada, cria uma outra superfície, novamente retrabalhada analogicamente, propiciando experimentações com interferências de outros meios.

Okamoto apresentará duas séries nesta mostra, que é composta por  oito digigravuras em fotocópias digitalizadas, 35 x 45, tiragem única, e 10 telas em técnica mista, 40 x 60.

 

 

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